TEXTOS

Twitter
Facebook

Em busca dos esconderijos da memória

02/01/2010 | Comentários (0) | Por: Altamir Tojal

Veiculado no Observatório da Imprensa, em 16/6/2009.

Cecília Costa me alegrou com o convite para escrever a orelha do belo livro Julia e o Mago. Segue o texto:

Depois de lutar com a morte, de ver a alma voltar para o próprio corpo, Antônio se entrega à aventura de perseguir o amor em todos os instantes da vida e em todas as suas inesgotáveis possibilidades, as mais sublimes e as mais sórdidas. É assim que Julia decifra o mago, seu pai, e vive a aventura de também se desvelar. Ela inventa coragem para minerar os esconderijos da memória e confronta seus encontros e achados com narrativas e percepções do presente. Tudo é movediço e perturbador.

As histórias de Julia e o Mago nos trazem lembranças das alegrias e terrores mais primitivos e não nos deixam fugir do espelho. Evocam os obscuros e renitentes poderes da casa rodrigueana e nos põem a conviver com a opressão, as infidelidades, as conspirações, os pecados e, sobretudo, os amores de toda boa e velha família que se preza.

Este é um livro sobre os limites do amor. Ele nos conduz, em meio a trevas eternas e ao branco vazio, a luzes que cegam. Não vemos os limites do amor porque o desejo é infinito e, portanto, impossível de satisfazer. Antônio se consagra na épica dessa dependência desejante, do desejo que nunca se satisfaz, que é falta e é fora. Ao ressuscitar, o pai de Julia enfrenta a revelação de que não poderá mais fugir do amor fati, do destino de amar a vida incondicionalmente, mesmo o que ela tem de mais estranho e terrível, mesmo a infinitude do desejo.

Cecília Costa, que já havia se desnudado no seu Damas de Copas, explora agora, com Julia e o Mago, limites ainda mais críticos da autoficção. Não faz cerimônia nem tem pudor. Ela alcança, assim, a emoção e a verdade engendradas na tensão entre ficção e realidade, ou seja, o que a literatura tem de melhor a oferecer. Essa potência irrompe tanto nas histórias e personagens como na diversidade e na ousadia da maneira de contar, nas múltiplas vozes e na poesia das palavras, transformando em arte mesmo o mais rude cotidiano.

O livro de Cecília ainda nos presenteia com ricas e interativas alusões à família Mann, desde as matas mágicas de Angra dos Reis e Parati, de onde partiu Julia, a brasileira, mãe de Thomas, autor preferido de Antônio, até as montanhas geladas - e também mágicas - da Suíça.



Comentários

Nenhum comentário para esse texto.
Deixe seu comentário agora.

Campos marcados com * são de preenchimento obrigatório

Digite os caracteres da imagem no campo abaixo

LIVROS

Livro Oasis

OÁSIS AZUL DO MÉIER

Oásis azul do Méier reúne oito histórias com diversidade de temas, ritmos, vozes e construções narrativas. Em comum, o encontro do insólito com o trivial.



Livro faz que não vê

FAZ QUE NÃO VÊ

O romance Faz que não vê é um thriller político sobre as Aventuras e conflitos de um ex-guerrilheiro no submundo dos negócios e da política.

ESTE MUNDO POSSÍVEL © | Todos os direitos reservados.
Todos os textos por Altamir Tojal, exceto quando indicado.
Antes de usar algum texto, consulte o autor.