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Jornadas Antonio Negri

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Por Altamir Tojal em 03 de junho de 2010 | Link | Comentários (0)


7, 8 e 9 DE JUNHO, NA FFLCH - FILOSOFIA / USP

O Grupo de Estudos Espinosanos da USP promove anualmente jornadas dedicadas a um filósofo ou a um tema. Este ano, em colaboração com a Pós-Graduação do Departamento de Direito da PUC-Rio / Núcleo de Estudos Constitucionais, o encontro será dedicado ao filósofo italiano Antonio Negri, um dos principais nomes do debate político-filosófico contemporâneo.

A proposta é discutir as contribuições negrianas, em especial a recente trilogia, escrita com Michael Hardt: Império, Multidão, Commonwealth.

Informações sobre o evento, programação e inscrição:

http://jornadasnegri.blogspot.com/

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MOVIMENTOS SOCIAIS E GOVERNOS

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Por Altamir Tojal em 23 de dezembro de 2008 | Link | Comentários (0)


O aparelhamento político debilita os movimentos sociais e empobrece o repertório conceitual da esquerda?

Como inventar novas formas de gerir o comum que não sejam capturadas pelo capital?

Como evitar que a atual crise neoliberal traga de volta o estatismo?

Como ter uma prática e uma agenda que transmitam as virtudes dos movimentos sociais e do estado?

A Oficina de 18 de Dezembro

A relação entre os movimentos sociais e o estado foi uma das questões centrais na Oficina de Debates promovida pela Universidade Nômade no dia 18 de dezembro, no Departamento de Direito da PUC Rio.

Foi um debate horizontal que teve a participação de Antonio Negri, Christian Marazzi, Yann Moulier-Boutang, Oscar Vega, Raul Prada, Cesar Altamira e outros pensadores e professores presentes no Rio de Janeiro para o Fórum Livre do Direito Autoral, realizado de 15 a 17 de dezembro por iniciativa da Escola de Comunicação da UFRJ.

O debate foi coordenado por Giuseppe Cocco, da Universidade Nômade e da UFRJ, e por Francisco Guimaraens, também da Universidade Nômade e da PUC Rio. Participaram cerca de 80 pessoas, durante todo o dia. A pauta original constou de quatro itens:

1) O ciclo político "virtuoso" na América Latina: potencialidades e impasses.
2) A crise "global" do capitalismo global das redes.
3) Movimentos e produção de subjetividade.
4) A procura do "commonwealth'.

Críticas à Carta dos Movimentos

Embora todo o temário original tenha sido abordado nas discussões, com destaque para a questão da financeirização na economia contemporânea - a partir de abordagens propostas por Christian Marazzi - o debate sobre a relação entre movimentos sociais e o estado foi o que teve mais intervenções e mobilizou o maior número de participantes.

Um dos textos de referência do evento foi a Carta dos Movimentos Sociais ao Presidente Lula, apresentada ao governo em novembro. A carta, subscrita por mais de 50 organizações, apresenta propostas ao governo para enfrentar a crise econômica global.

A carta recebeu diversas críticas entre as quais a de que não expressa a multiplicidade dos movimentos. Outro ponto assinalado seria um viés neokeynesiano, que revelaria certa nostalgia da política econômica do governo militar. Também foi questionada a ausência de referências a ações afirmativas, o que seria reflexo de que diversos movimentos estariam se convertendo em aparelhos políticos. Os movimentos estariam se tornando presas fáceis do estado e não estariam consegindo se comunicar e cooperar entre si.

Paulo Henrique Almeida, da UFBA, disse que a tradição da esquerda de ser contra o comércio e os bancos a desarma para o mundo atual, que é baseado em trocas e finanças. Ele assinalou que a carta propõe a eutanásia dos rentistas e do capital financeiro como se nós não fôssemos parte das finanças. Também pede de volta a 'substituição de importações' e outras propostas do repertório da esquerda nacionalista e da direita fascista. Portanto, cabe questionar o que seria uma política de esquerda nesta crise.

Não se governa sem os movimentos

Antonio Negri concluiu uma de suas duas breves intervenções lembrando que hoje não se governa, a não ser como os movimentos.

Os debates destacaram o reconhecimento dos avanços sociais das políticas públicas no Brasil, nos últimos anos, resultantes em grande parte da relação entre os movimentos sociais e os governos.

Mas assinalou-se que esse encontro também diminui os movimentos e o próprio estado, e que caberia rediscutir o que é movimento social hoje.

Isso suscitou controvérsia. De um lado, considera-se que não cabe aos intelectuais definir o que é movimento e como devem atuar os movimentos. Isso seria uma tentativa de captura.

Outra corrente entende que professores e intelectuais em geral fazem parte do 'proletariado cognitivo'. A hierarquização e a fragmentação promovidas pelo capitalismo cognitivo passa pelo domínio do tempo desses trabalhadores que, portanto, necessitam e devem discutir o tema, partindo de suas próprias questões.

Giuseppe Cocco concordou que há problemas na relação entre os movimentos e o estado, mas destacou que há uma prática rica e potencialidades positivas. A dificuldade da relação estaria na questão maior da crise da representação. Além disso, o debate da questão deveria considerar o vazio provocado pelo enfraquecimento dos movimentos sociais organizados.

Francisco de Guimaraens ponderou que é preciso discutir a relação dos movimentos com o estado com o cuidado de não jogar fora a água da bacia com a criança junto. Esse debate não deveria ser seqüestrado pela direita nem pela esquerda estatista. Disse que é preciso discutir quanto e quando o estado é comum.

O público e o comum

Vale observar que o debate considerou uma base conceitual que diferencia três ordens de domínios: o privado, o público e o comum, o que repercute em noções relacionadas à propriedade e ao direito. O conceito de comum tem sido discutido a partir de trabalhos de Negri e Michael Hardt, entre outros autores, e diferencia-se da idéia de domínio público. Uma aproximação com o tema pode ser feita na leitura da conferência de Negri no II Seminário Internacional sobre Capitalismo Cognitivo, realizada no Rio de Janeiro em outubro de 2005, bem como em livros como Império e Multidão.

Também cabe assinalar que a problematização do papel do estado tem amplo destaque na crítica marxista muito antes dos ataques do neoliberalismo.

Produção de subjetividade

Outro aspecto da crise comentado no debate relaciona-se à produção de subjetividade. Na crise anterior, dos anos 70 e 80, vivíamos sob ditadura e o país enfrentava uma crise fiscal. Isso contribuiu para formar uma subjetivação que legitimou as políticas neoliberais e a idéia do estado mínimo. Cabe indagar, portanto, que processos de subjetivação estão ocorrendo agora, nesta crise?

A conta da crise

Também foi ressaltado que a crise não é simplesmente uma questão técnica. É preciso atenção aos seus efeitos sobre a dinâmica dos movimentos, principalmente a pressão para reduzir os orçamentos das políticas sociais. Negri e outros participantes comentaram o crescimento dos atuais movimentos globais que questionam e protestam contra o pagamento pelos mais pobres dos custos da crise econômica.

Patrocínio e aparelhamento

Concluo este registro sobre a 'Oficina de 18 de Dezembro' com uma especulação e uma indagação:

Hoje, como assinala Negri, não se governa sem os movimentos sociais. Há uma circulação política potente na relação entre os movimentos e o governo, produzindo políticas públicas de interesse da sociedade. Mas essa relação também é de patrocínio em diversos casos no Brasil. Se isso propicia suporte material também limita a autonomia e a liberdade dos movimentos e favorece vícios próprios do público e do privado. Cabe discutir, portanto, como essa relação de patrocínio afeta os movimentos e o próprio governo. Será que a debilidade de alguns movimentos sociais e mesmo o empobrecimento do repertório conceitual da esquerda não decorre do vício do aparelhamento político, entendido como promiscuidade na relação entre movimentos e governo?

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PENSANDO 1968: 'AQUI E AGORA'

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Por Altamir Tojal em 02 de junho de 2008 | Link | Comentários (0)


Vale ler a entrevista de Antonio Negri e Giuseppe Cocco à jornalista Rachel Bertol, publicada neste sábado (31/5) no caderno Prosa & Verso do jornal O Globo, com o título Reconquista da vida . Eles comentam as profundas mudanças sociais originadas e influenciadas pelos múltiplos movimentos e manifestações em escala planetária, que tiveram como marco o ano de 1968.

Reproduzo a seguir uma das respostas da entrevista e destaco alguns trechos. São reflexões que contribuem para elucidar um dos aspectos mais polêmicos e ao mesmo tempo mais centrais dessas mudanças, a sua importância política:

PERGUNTA: Há consenso sobre a vitória de 68 para a liberação dos costumes. Mas, no plano político, esse consenso não é claro...

NEGRI E COCCO: Esta é uma questão bastante importante. Por duas razões: em primeiro lugar porque muitas vezes nas manifestações sobre 68 destinadas à sua liquidação -- e a enterrar qualquer pensamento de transformação -- enfatizam-se apenas os eventos ligados aos movimentos estudantil ou cultural. Depois porque alguns trabalhos de sociologia, embora com uma preocupação diferente, assumem a separação entre as dinâmicas estudantil e operária para afirmar que os "limites" de 68 dizem respeito exatamente a essa clivagem. No primeiro caso, é uma operação bem simples: põe-se em segundo plano ou até se ignora que o Maio de 68 francês foi o teatro de uma das maiores greves gerais da história moderna. No Brasil, assistimos a uma dupla operação: de um lado, reduz-se a dimensão dramática e heróica da Marcha dos Cem Mil e apagam-se de vez as gloriosas lutas operárias de Osasco e Contagem; de outro, há uma valorização dos comportamentos transgressivos para reduzir os movimentos culturais a um fácil e inócuo modismo balneário, bem típico da elite carioca. No caso dos sociólogos, a operação é mais sutil e perigosa: passa pela oposição entre o que teria sido a luta operária (e sua "crítica social"), a estudantil e a dos outros sujeitos sociais (feministas, minorias étnicas, sexuais), que teriam abandonado o terreno do social (da emancipação) por reivindicações de tipo cultural (o que teria sido uma "crítica artística"). Assim, tanto a glamourização quanto a vampirização de 68 oferecem discursos mistificadores ou inadequados. Nunca houve essa divisão, nem em 1968 nem ao longo da década de 1970. Muito pelo contrário. Em 68, juntava-se, num mesmo e potente ciclo, uma multiplicidade de singularidades: estudantes, jovens, operários, mulheres etc. Todas essas lutas se voltam contra a sociedade disciplinar, fosse ela abertamente patriarcal (no caso das relações de gênero ou entre as gerações) ou fabril (no caso das relações tayloristas de trabalho). Na chamada "critica artística", havia os germes de um novo tipo de movimento, afirmativo e potente. As práticas de libertação não estariam mais subordinadas ao horizonte longínquo da emancipação. Resolver as questões de discriminação significa operar uma crítica bem mais eficaz da ordem social do capital! Como dissemos, 68 foi a experimentação de outras formas de existência: não em outro lugar, nem outro mundo "melhor" e sem o capital, mas aqui e agora! A luta operária se tornou desmedida e ingovernável quando se juntou às lutas sociais que se constituíam dentro da que é tida como "reprodução", quando na realidade é a própria produção da vida. Com isso, afirmava-se a possibilidade de uma verdade, de um sentido, que não era mais o fruto paradoxal de seu contrário, a não-verdade da subordinação. Essa passagem, como acabamos de enfatizar, se deu com formas de subjetivação conseguiram produzir sua própria verdade e, assim, esvaziar os dispositivos disciplinares, ao passo que se afirmavam como máquinas de libertação. São as lutas sociais de tipo novo que se desenvolveram a partir de 1968 que definem esse deslocamento. Lutas novas porque assumem a mobilização produtiva da esfera da reprodução como terreno de constituição autônoma, antagônica à ordem disciplinar da fábrica. São questões extremamente atuais porque o trabalho se difundiu pela sociedade, além da relação salarial, envolvendo a própria vida em seu conjunto. Não faz sentido separar o que acontece no nível das formas de vida (as práticas de libertação de mulheres, negros, gays, lésbicas, migrantes estrangeiros) do que acontece nas dinâmicas políticas e econômicas. À ofensiva biolítica (a potência da vida) da década de 1970, o poder respondeu se tornando biopoder, poder sobre a vida como um todo, como dizia Foucault. É por essas linhas que passam os novos conflitos sociais. Eles envolvem ao mesmo tempo as questões sociais, econômicas e políticas, ou seja, a própria democracia.

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