
A peça O Língua-Solta trata das nossas origens, do começo do Brasil, trazendo um dos personagens mais remotos da nossa cultura, Bento Teixeira, considerado o primeiro poeta brasileiro, embora tenha nascido e morrido em Portugal.
De autoria de Miriam Halfim e direção de Xando Graça, a peça tem interpretação solo de Isaac Bernat. Estreou no dia 21 de julho e fica em cartaz até 10 de setembro, nas quartas e quintas, às 19 horas, no Teatro do Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, Rio.
Bento Teixeira veio com seis anos para cá. Cristão-novo, órfão, foi educado pelos jesuítas em Pernambuco. Além das influências judáicas e católicas, o poeta completou sua visão de mundo com as delícias e aflições da esbórnia colonial. Foi denunciado ao Santo Ofício e condenado em Lisboa.
Pouco mais se sabe de Bento Teixeira, autor do épico 'Prosopopéia'. A obra pode ser achada nos sebos. Há quatro exemplares (edições de 1972 e de 1977) disponíveis na Estante Virtual e o texto pode ser baixado na Bibvirt. Os especialistas dizem que o poema tem mais valor histórico que literário.
Na versão de Miriam Halfim, a vida trágica de Bento Teixeira é temperada com humor peneirado na libertinagem geral e na irreverência do poeta. Ela acha e nos traz aqueles risos, gravados talvez na parte mais alegre e escrachada do DNA nacional, mas que não abafam os gemidos das nossas dores e as queixas da nossa impotência.
O propósito da autora parece ser mesmo o de nos aproximar daquela época, através de seus protagonistas, muitos dos quais quase totalmente desconhecidos do público. Esta é a sua quinta peça encenada e, de seus mais de trinta textos para o teatro, dez foram contemplados em concursos de dramaturgia.
Entre estes, destacam-se 'Ana de Ferro, Rainha dos Tanoeiros do Recife', 'Senhora de Engenho - Entre a Cruz e a Torá' (sobre a vida de Branca Dias), e 'Ecos da Inquisição' (mistura de histórias do padre Antônio Vieira e de Antônio José da Silva, o Judeu).
O livro com a íntegra da peça foi publicado pela Editora Réptil.