
Há muito poder no ato de informar. Não há neutralidade na informação. Há sempre valor na escolha do que e como informar.
Como em qualquer situação, é preciso um esforço da mídia para mostrar a gravidade da crise econômica atual: perdas, causas, riscos e ameaças.
Mas também é preciso mostrar as possibilidades e oportunidades. O trabalho que se faz e o que pode ser feito para atenuar e vencer a crise.
É preciso mostrar as diferenças. Há os que perdem e também os que ganham com a crise. Há os que são mais e menos afetados.
Há decisões que estão sendo e serão tomadas que podem antecipar ou retardar soluções. E que irão alocar os custos da crise entre indivíduos, empresas e países.
Quando um comentarista, um editor, um veículo orienta sua cobertura para dar um sentido universal, absoluto e inelutável à recessão, qual é o resultado que isso produz?
Isso multiplica o medo e induz a decisões alimentadoras de mais recessão. Produz uma profecia auto-realizável, aquela que cumpre a si mesma.
Vale anotar: Quem faz assim agora são os mesmos que produziram a profecia da prosperidade e da felicidade eternas prometidas no céu do mercado.
Este é o tema do artigo 'Guerra de palavras pelo espólio da crise', que publiquei no portal do Observatório da Imprensa e que está também aqui neste site.
Também recomendo o artigo 'Atenuar os efeitos da crise', do deputado e ex-ministro Antônio Palocci, publicado no Globo de 19/10/2008.
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