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Faz pouco tempo que Collor foi eleito

22/08/2010 | Comentários (1) | Política | Por: Altamir Tojal

Caetano, Serra e Sabrina Sato

Não vi a entrevista do Serra a Sabrina Sato, mas acho que nem é preciso para entender a coluna de hoje (22/8) de Caetano Veloso no Globo. Ele diz que Serra erra ao não se diferenciar de Lula.

Acrescento que não é preciso ser contra Lula para ser diferente. Serra não é contra Lula e nem mesmo contra a Dilma. A vida política de Serra se mistura com a de Lula e de Dilma, na luta contra a ditadura, pela redemocratização e pela justiça social.

Mas Serra é diferente como político e governante. Sua história o credencia para dar continuidade às conquistas políticas, sociais e econômicas do Brasil, combatendo os vícios da administração petista, principalmente o populismo e o fisiologismo.

Sinto vergonha ao ver partidários de Serra desqualificando Lula como iletrado e acusando Dilma de terrorista. E lamento, como Caetano e como o presidente Fernando Henrique, que a campanha de Serra esteja sendo – como as dos demais candidatos – conduzidas exclusivamente pelo marketing.

Registro a avaliação de FHC em entrevista a Gilberto Scofield Jr, publicada em 1/8:

“Todo esforço dos marqueteiros é não discutir problemas que possam dividir. E toda discussão intelectual divide. (...) Cadê a liderança política? Com liderança você não tem que repetir o que os outros querem. Você tem que convencer os outros da importância dos seus valores. Tenho dito isso ao para meu candidato, o Serra, que ele tem condição de falar na tv o que acha. Porque as pessoas não estão mais acostumadas a saber o que os outros acham. Ninguém acha nada. No fundo, todos os discursos ficam iguais. São só imagens, imagens, e não se acha nada. Não tem política.

Serra pode não vencer mostrando sua diferença e fazendo política, mas – como escreveu Caetano em sua coluna de hoje – daria medidas a Dilma.

A vitória sustentada pelo populismo, pelo fisiologismo e pela infantilização dos eleitores (como alertou Marina) vai cobrar o seu preço. Eleição consagra o governante, mas não é fim na política. Faz pouco tempo que Fernando Collor foi eleito.

O pinguim da geladeira

17/08/2010 | Comentários (0) | Literatura | Por: Altamir Tojal

Contos trazem as deliciosas recordações do subúrbio
Por Sônia Araripe*

Os bronzeados e tão bem fornados da Zona Sul carioca que me perdoem. Mas bom mesmo é o subúrbio. Isso, o legítimo e autêntico, da cadeira na porta para bater papo com vizinho – aproveitando para fofocar a vida alheia – do pastel gorduroso na feira, acompanhado de um bom caldo de cana feito na hora, da pelada em campo de rala-côco aos domingos, pipa no ar, bola de gude, e, é claro, pinguim em cima da geladeira.
 

Nada contra esta gente morena e saudável andando no calçadão do Leblon ou de Ipanema. Quiçá da Barra da Tijuca, Eldorado de plantão, Miami tupiniquim. Mas é no encalorado - e muitas vezes empoeirado – subúrbio, que se encontra o verdadeiro espírito carioca. Do samba de raiz, da empada de comer esfarelando (sem falar ao mesmo tempo, por favor), da cerveja nem sempre gelada, da senhora com bobs na cabeça, mesmo se o lenço teimar em deixar aparecer, da vaquinha para o presente e por aí vai. Ah! E tem o pinguim de geladeira.

Tive a sorte - ou nem tanta - de ser caçula dos dois lados da família. Raspa de tacho, mal tive tempo de conhecer os avós. Assim, não me lembro se na casa da minha avó paterna tinha um pinguim em cima da geladeira. Acho que não .... Ela gostava de um bibelô, mas cozinha não era lá o seu forte. Gostava mais dos livros, do xadrez, de um bom papo.

Num ponto a memória não falha: lembro de ter convivido na minha infância com vários destes verdadeiros troféus por onde passei. Em várias casas. Na nossa não tinha. A geladeira era daquelas antigas, quase feito uma bolha grande. Mas pinguim não tinha. Em casa de família remediada da Tijuca, isto já era um apetrecho cafona. Aliás, alguém ainda fala cafona? Caiu no esquecimento, num é? Mas me lembro bem do pinguim que encontrei pela primeira vez na casa da avó do meu marido. Que ficava no ... Cachambi, em pleno subúrbio, redondezas do Méier. Como convivemos muito, passei a “adotá-la” como avó. Portanto, na casa da vó emprestada também tinha um pinguim. Lembro também de outro clássico suburbano: os retratos na parede da criançada em diferentes poses, fingindo que falava ao telefone, com um brinquedo, etc.

Voltei para esta imagem ao ler o recém-lançado Oásis Azul do Méier, do jornalista Altamir Tojal (Editora Calibán, 104 páginas, R$ 20,00). A imagem da capa é uma delícia e já assegura parte do interesse pela leitura. Uma jovem, suburbana legítima, com tudo em cima, está na cozinha. Em primeiro plano, a geladeira branca e o pinguim. Não é mais a Frigidaire que tantas vezes abri pra fugir do calor do Cachambi, mas o bibelô é legítimo!

Em uma subversão, parto direto para o conto que dá título ao livro. O que seria do mundo sem pequenas subversões? E qual não é minha surpresa ao me pegar lendo o livro todo de um só fôlego enquanto o sono não vem. Falando do mesmo subúrbio que tantas vezes visitei e visito, encontro personagens que parecem saídos da vida real. Altamir tem um texto de tirar o fôlego, com uma descrição de cenário incrível. Quase dá para sentir o lufar de Edgar, curioso e obeso mascate de bugingangas, que irá vender o pinguim macho para fazer companhia para a pinguim fêmea da sensual Marli. Ela, na flor da idade, com tudo em cima. Parece que dá para ver como a gostosona fala, anda... Tem ainda a esposa de Edgar e o marido da Marli. Mas não vamos dar todos os detalhes para não estragar a curiosidade de quem sentirá vontade de conhecer o lançamento.

Além destes personagens, o pinguim - macho – está lá, solene, acompanhando, dando o tom e marcando a narrativa. Há outros contos saborosos e marcantes, como Bodas, Marcela, e por aí vai. São oito ao todo. Um livro curto, pequeno (contribuindo para a sustentabilidade, ao gastar menos papel), mas denso, marcante. Altamir Tojal é jornalista de ótima cepa, com passagens pelo Globo, Jornal do Brasil, Isto É e outras redações, tendo migrado há 25 anos no mundo da comunicação corporativa. Antes, já tinha lançado o romance Faz que não vê (Editora Gramond), encarou muito bem o desafio dos contos.

Sugiro uma revanche. Um terceiro livro só de casos e causos sobre o subúrbio. Méier; Cavalcante (de onde vieram Sérgio Cabral, o pai e Sérgio, o filho governador); Del Castilho, Cachambi, Pilares, Engenho de Dentro, Riachuelo, Cascadura, Madureira, indo um pouco mais além, Quintino (do Zico), Campinho, Vila Valqueire e por aí vai. Tenho aqui na mesa um filhote de pinguim, pequeno, mas originalíssimo, presente dos amigos da Revista Piauí, que adotou o bichano como mascote. A turma da Piauí nem deve desconfiar. Mas ele, risonho, sempre de bom humor, certamente, é um legítimo suburbano. Assim como a minha alma.
 

*Jornalista, nasceu na Tijuca, cresceu na Ilha do Governador, tem alma de suburbana. É Editora de Plurale em revista e Plurale em site, com foco em Sustentabilidade

Publicado do Balaio de Notícias – Aracaju – Sergipe
http://www.sergipe.com.br/balaiodenoticias/sonia_140.htm

 

Voto no Serra

15/08/2010 | Comentários (1) | Política | Por: Altamir Tojal

A campanha esquenta e a hora de votar se aproxima.

O Governo Lula termina com saldo positivo: a sociedade brasileira ficou menos injusta e a economia melhorou. E – embora o PT não admita – Lula teve a sabedoria de preservar o legado do Governo FHC.

Há vícios graves, porém, como o feudalismo partidário com loteamento do estado. Há também o vírus da intolerância, que ameaça a democracia.

A democracia está sempre em construção. A sociedade brasileira avançou na democracia e parece não tolerar mais o autoritarismo. Mas nunca é demais ter cuidado.

Apesar das conquistas, ficamos roucos de tanto falar dos problemas do Brasil. Eles são demais mesmo. É bom falar e reclamar, portanto. E também é bom agir, exercendo a cidadania, a começar pela escolha dos candidatos e pela participação política.

É recomendável, também, não esquecer nem desmerecer as nossas próprias conquistas. E uma delas está simbolizada nestas eleições.

Mesmo que nelas se privilegie o marketing em vez da política – enturvando os sentidos do eleitor – entendo que é um luxo poder escolher entre Serra, Dilma e Marina.

O eleitor pode gostar ou não deles, apoiar ou não, pode defender, combater ou mesmo odiar esse ou aquele ou seus partidos. Mas ter estas escolhas é uma vitória do Brasil.

Já tivemos de fazer escolhas muito mais difíceis. Achávamos que nem valia a pena votar. Não faz um minuto de História, a escolha era aceitar a humilhação da injustiça e do autoritarismo ou enfrentar a ditadura. De lá pra cá, o Brasil construiu uma economia mais forte, abriu caminho para uma sociedade mais justa e afirmou a democracia.

Serra, Marina e Dilma parecem sinceramente comprometidos com isso. Voto em José Serra porque acho que é o candidato mais preparado para avançar nesta agenda. E também porque a alternância no poder faz bem à democracia.

Personagens à beira do abismo

03/08/2010 | Comentários (0) | Literatura | Por: Altamir Tojal

UM MUNDO IMPOSSÍVEL DE TOJAL

Por Fernando Molica, publicado no Blog Pontos de Partida, em 2/8/2010.

O amigo Altamir Tojal lança amanhã, terça, na Travessa do Leblon, a partir das 19h, seu livro de contos Oásis azul do Méier (Calibán Editora). Comecei a leitura na semana passada e tomei um agradável susto. Autor do romance Faz que não vê (2006), Tojal se reinventou no novo livro: não que este seja melhor que o primeiro, mas as diferenças entre eles são muito grandes. As narrativas são surpreendentes, apresentam personagens meio patéticos, meio absurdos que se deparam diante de situações inusitadas - como a de um condenado à morte que precisa cometer um crime para justificar a sentença prévia. Ou como a de um autor em busca de sua única leitora.

Tojal levou seus personagens a uma perigosa beira de abismo - um passo em falso e todos cairiam. Soube, porém, mantê-los vivos, tensos e instigantes, protagonistas de uma prosa que flerta com o delírio da poesia. Não é gratuito o elogio de Alberto Mussa que, na apresentação de Oásis, o classifica de um dos melhores livros de contos da produção contemporânea brasileira. Ah, Tojal mantém um blog, o Este mundo possível.

Curso de Economia Marxiana começa no dia 11/8

02/08/2010 | Comentários (0) | Economia | Por: Altamir Tojal

O pensamento de Karl Marx continua relevante e influente, mas são raras as oportunidades de estudá-lo no Rio de Janeiro. O Corecon RJ inicia na próxima semana (dia 11/8) o Curso de Economia Marxiana, com base na leitura do Livro I de O Capital, ministrado pelo professor João Leonardo Medeiros, autor da tese A Economia diante do horror econômico. No ano passado, um curso parecido foi adiado por falta de alunos e, agora, o Conselho está procurando interessados para completar a turma. A economia marxiana não se restringe à economia marxista, pois inclui a contribuição de outros pensadores influenciados por Marx, não necessariamente alinhados com o seu programa socialista. Se você tem interesse, veja as informações a seguir.

Período

De 11 de agosto a 15 de dezembro de 2010. Uma vez por semana, as quartas-feiras, de 19h às 21h40 - Curso de 60 horas

Professor

João Leonardo Medeiros - Doutor em Economia pela UFRJ. Título da tese: A Economia diante do horror econômico. Professor adjunto da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense. Link para o currículo Lattes.

Programa

Unidade I. Valor, dinheiro e capital: as categorias imediatamente dadas da circulação capitalista
1. Desvendando o mistério do valor
2. Valor, dinheiro e circulação
3. A transformação de dinheiro em capital
4. A mais-valia e os juros como categorias indispensáveis da produção mercantil

Unidade II. A produção de valor
1. O processo de trabalho e a especificidade da produção capitalista
2. Peculiaridades da mercadoria força de trabalho
3. A jornada de trabalho
4. Formas de extração da mais-valia: mais-valia absoluta e relativa

Unidade III. Transformação da produção sob comando do capital
1. A transformação das formas produtivas pré-capitalistas
2. O controle do processo de trabalho como objetividade: a tendência à desantropomorfização
3. Conseqüências da perda da centralidade do trabalho

Unidade IV. A dinâmica capitalista
1. Produção e reprodução do capital
2. Reprodução simples e reprodução ampliada
3. A acumulação do capital
4. A lei geral da acumulação capitalista

Unidade V. De volta ao começo e do começo ao possível fim
1. A acumulação primitiva: a gênese da produção capitalista
2. Projetando cenários para o modo de produção capitalista

Bibliografia obrigatória
MARX, K. O Capital: crítica da economia política – Livro I, volumes 1 e 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

Informações
1. Todos os cursos conferem certificado (com especificação de número de horas-aula e conteúdo programático).
2. O horário de atendimento da Secretaria de cursos é das 10h às 20h.
3. Ao preencher o formulário de inscrição, não deixe campos em branco. Em caso de dúvidas, ligue para (21)2103-0118. Não deixar um telefone ou um e-mail impede de entrarmos em contato para dar alguma informação complementar necessária.
4. Após o preenchimento do formulário de inscrição você deverá comparecer à Secretaria de Cursos para efetuar o pagamento. O primeiro cheque (ou o único, se preferir o pagamento à vista) é sempre datado para o primeiro dia do curso (ou para a sua melhor data). Em caso do curso não ser realizado por qualquer motivo, o(s) cheque(s) será (ou serão) devolvido(s). É muito importante este pagamento ser efetuado o mais cedo possível, pois isto confirma seu interesse e garante sua vaga.
5. É necessário um número mínimo de alunos – que varia entre 10 e 15 – para formar uma turma. Não deixe para a última hora a sua matrícula, pois você poderá contribuir na decisão de não haver o curso.
6. Caso prefira efetuar depósito bancário, entre em contato pelo e-mail: cursos@corecon-rj.org.br para obter as informações.

Mais informações: Creuza Stephen Figueira - Secretária de Cursos (21) 2103-0119

 

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