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Sol forte no céu e crepúsculo no fundo do mar

01/01/2010 | Comentários (0) | Recreio | Por: Altamir Tojal

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Estávamos entre o fundo e um teto opaco, um caldo de microalgas. Era quase um mergulho noturno. Somente um pouco da luz do sol atravessava o caldo, criando um ambiente crepuscular debaixo d'água.


Água ruim não significa mergulho ruim. O mar da Cidade Maravilhosa estava muito feio no domingo depois do Natal (2009). Parecia uma mistura de caldo de cana com chocolate derretido. Isso na superfície. No fundo estava claro. Fizemos mergulhos diferentes, estranhos mesmo, mas isso é que deu graça à coisa.

Foi a primeira saída oficial da Mar do Mundo, a operadora de mergulho do Pedro Bonfatti, instrutor e amigo. Partimos da Marina da Glória, no Guaiuba. Domingo de sol e muito calor. Sabíamos que o mar não estava bom por conta das microalgas que enfeavam as praias há alguns dias. Mas tínhamos esperança que melhorasse mais adiante. Estava e continuou péssimo, na verdade. A ideia era irmos para Maricás e descer no naufrágio do Moreno. Mas fomos mesmo para o Portinho, na Rasa, que fica mais perto.

Metade do grupo não desceu no primeiro mergulho. Alguns estavam concluindo o curso básico e o Pedro achou melhor abortar. Outros não acharam agradável cair naquela água.

Descemos uns dez ou doze, guiados pelo suíço-carioca Thomas. Os primeiros oito a dez metros eram de invisibilidade. Mas depois a água estava clara. Não sei calcular bem, mas creio que tínhamos uns quinze metros ou mais de visibilidade, o que não é mau no Rio de Janeiro. Eu estava na frente e podia ver todo o grupo quando me voltava. Havia vida razoável. A água estava morna na parte escura, acima, mas muito fria embaixo. O meu computador marcou 17 graus. Mas com o calor lá em cima, foi até refrescante. Acho que a água fria ajudou a desanimar a turma para o segundo mergulho. Então, descemos apenas o Fabiano e eu.

O que me agradou mais nestes mergulhos foi exatamente aquela condição estranha. Estávamos entre o fundo e um teto opaco, um caldo de microalgas. Era quase um mergulho noturno. Somente um pouco da luz do sol atravessava o caldo, criando um ambiente crepuscular debaixo d'água. Eu já tinha feito mergulhos parecidos lá mesmo na Rasa, porque a visibilidade no mar do Rio é fraca com freqüência. Mas esses foram mais bonitos e emocionantes.











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