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O romance Faz que não vê é um thriller político sobre as aventuras e conflitos de um ex-guerrilheiro no submundo dos negócios e da política.
Resistência ao Império e a conta do salário social reúne reflexões sobre o tema da resistência e o financiamento da renda de cidadania.
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14/05/2012 | Comentários (0) | Política | Por: Altamir Tojal
Atos e coleta de assinaturas para a petição ao STF ocorrerão no dia 20 de maio
Um mutirão nacional pedindo agilidade no julgamento do Mensalão será realizado neste domingo, 20 de maio. A manifestação está sendo organizada pela rede de movimentos contra a corrupção e a impunidade. A meta principal é coletar mais assinaturas para a petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) por celeridade no processo. Já foram computadas 28 mil assinaturas, sendo 18 mil na Internet e 10 mil no papel, em diversos estados do país.
O processo do Mensalão no STF acaba de completar 4 anos e 6 meses e as denúncias ocorreram há mais de 7 anos.
Movimentos de nove cidades confirmaram a participação no mutirão e os organizadores aguardam novas adesões. Estão programadas manifestações no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Belém, Vitória, Florianópolis, João Pessoa, Cascavel (PR) e Botucatu (SP).
Cadeia de frente para o mar
No Rio, o Movimento 31 de Julho contra a Corrupção realizará a manifestação no Posto 9, em Ipanema, entre 11h e 14h. Será montada a alegoria de uma prisão de frente para o mar. Grupos de outras cidades também montarão suas réplicas de celas e cadeias. Segundo Marcelo Medeiros, coordenador do Movimento 31 de Julho, “não será por falta de xadrez que os juízes do STF terão motivo para atrasar ainda mais o julgamento”.
As manifestações são pacíficas, garantidas pela Constituição. Os organizadores recomendam que, a critério dos movimentos locais, seja requerida proteção policial com a necessária antecedência.
Incerteza sobre o julgamento
O motivo da mobilização é a dúvida sobre a realização do julgamento do Mensalão pelo STF neste semestre, abrindo a possibilidade de prescrição de diversos crimes e de candidaturas de acusados, que poderão escapar da Lei da Ficha Limpa. Ainda não é certo que o ministro Lewandowski concluirá a revisão do processo em tempo hábil e percebe-se que aumenta a pressão de áreas do governo para retardar o julgamento.
Na Internet, o abaixo-assinado pelo Julgamento do Mensalão está no Portal Petição Pública, no seguinte endereço:
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N22495
Os termos da petição são os seguintes: “Aos Ministros do STF: Fazemos um apelo a V.Exas para não permitirem que os crimes do Mensalão prescrevam antes do julgamento e que pedidos de vistas e adiamentos beneficiem os acusados. O processo está em tramitação há muito tempo. Deixar que ocorra prescrição e que os acusados continuem a se aproveitar da demora do julgamento significará verdadeira oficialização da impunidade no Brasil”.
A petição tem o apoio de diferentes setores da sociedade. Entre as pessoas que aderiram estão: o príncipe D. João de O. E Bragança, os deputados Luiz Paulo Correa da Rocha, Chico Alencar e João Batista de Araújo (Baba), o ex-ministro Marcílio Marques Moreira, o empresário Ivan Botelho, o diretor de tevê Daniel Filho, a cantora Olívia Byinton e os economistas Paulo Guedes, Elena Landau e Pérsio Arida.
O abaixo-assinado será entregue em seguida no STF pelos movimentos Transparência Brasil e Queremos Ética na Política. O endereço para remessa das folhas com as assinaturas é:
Comissão Organizadora SOS STF / Missão Ampulheta em Brasília:
A/C: Sr. Rodrigo Netto
SHIS QI 13, conj. 12 casa 05
Lago Sul – BSB / DF – CEP: 71635-120
Informações atualizadas sobre o mutirão pelo julgamento do Mensalão no dia 20 de maio podem ser obtidas na página do evento no Facebook:
http://www.facebook.com/events/291176100966036/
Outras informações no Rio de Janeiro:
Marcelo Medeiros e Ana Luiza Archer
movimento31dejulho@gmail.com
Telefone: 21-8165-4444
Mutirão Nacional pelo Julgamento do Mensalão Já! Domingo, 20 de maio. Cidades confirmadas:
- BELÉM (PA) - Basilica Santuario N S de Nazaré.
- BELO HORIZONTE - Praça da Liberdade.
- BOTUCATU (SP) - 19/5/2012 - Praça do Bosque
- CASCAVEL(PR) - Lago Municipal, a partir das 14h.
- FLORIANÓPOLIS (SC) - 10h às 12h - Trapiche da Av. Beiramar norte.
- JOÃO PESSOA (PB) - Coleta itinerante em vários pontos da cidade.
- RIO DE JANEIRO (RJ) - POSTO 9 - 11h às 13h.
- SÃO PAULO (SP) - MASP - 10h às 12h; também na Universidade Uninove.
- VITÓRIA (ES) - PRAIA DE CAMBURI (Hotel Aruan) - 15h às 19h.
11/05/2012 | Comentários (0) | Política | Por: Altamir Tojal
Dirigentes civis da ditadura proveram os meios políticos para assassinatos e torturas.
A Comissão da Verdade nasce com o poder de convocar pessoas que tenham relação com casos de tortura, morte, desaparecimento e ocultação de cadáveres, identificando e tornando públicas as estruturas, locais, instituições e circunstâncias relacionados aos crimes contra os direitos humanos, entre 1946 e 1988. O foco vai ser a Ditadura Civil-Militar, que controlou o Brasil de 1964 a 1979 (ou até 1985, como consideram alguns).
Desde que o livro “1964: a conquista do Estado”, de René Armand Dreifuss, foi publicado em 1981, a expressão “ditadura civil-militar” passou a ser incorporada a qualquer iniciativa honesta de compreender e investigar o tema. Sobre isso, merece atenção o artigo “A ditadura civil-militar”, do professor Daniel Aarão Reis (O Globo, 31-3-2012).
Dirigente civil da ditadura
“A obsessão em caracterizar a ditadura como apenas militar levou, e leva até hoje, a marcar o ano de 1985 como o do fim da ditadura, porque ali se encerrou o mandato do último general-presidente. A ironia é que ele foi sucedido por um político — José Sarney — que desde o início apoiou o regime, tornando-se ao longo do tempo um de seus principais dirigentes…civis”.
Aarão Reis pergunta se estender a ditadura até 1985 não seria uma incongruência e observa que o adjetivo “militar” o requer: “Ora, desde 1979 o estado de exceção, que existe enquanto os governantes podem editar ou revogar as leis pelo exercício arbitrário de sua vontade, estava encerrado. E não foi preciso esperar 1985 para que não mais existissem presos políticos. Por outro lado, o Poder Judiciário recuperara a autonomia. Desde o início dos anos 1980, passou a haver pluralismo politico-partidário e sindical. Liberdade de expressão e de imprensa. Grandes movimentos puderam ocorrer livremente, como a Campanha das Diretas Já, mobilizando milhões de pessoas entre 1983-1984. Como sustentar que tudo isto acontecia no contexto de uma ditadura? Um equívoco?”.
Memória interessada
Como demonstra Aarão Reis (que combateu a ditadura, foi preso e exilado), não se trata de equívoco, mas de uma interessada memória. “São interessados na memória atual as lideranças e entidades civis que apoiaram a ditadura. Se ela foi “apenas” militar, todas elas passam para o campo das oposições. Desde sempre. Desaparecem os civis que se beneficiaram do regime ditatorial. Os que financiaram a máquina repressiva. Os que celebraram os atos de exceção. O mesmo se pode dizer dos segmentos sociais que, em algum momento, apoiaram a ditadura. E dos que defendem a ideia não demonstrada, mas assumida como verdade, de que a maioria das pessoas sempre fora — e foi — contra a ditadura”.
Fala-se que o Brasil e o povo não têm memória, mas o que se vê hoje no caso da Ditadura Brasileira é uma abundante memória seletiva e conveniente, como toda memória, produzida e difundida pelos poderosos e vencedores de sempre. Diz o professor Aarão Reis: “No exercício desta absolve-se a sociedade de qualquer tipo de participação nesse triste — e sinistro — processo. Apagam-se as pontes existentes entre a ditadura e os passados próximo e distante, assim como os desdobramentos dela na atual democracia, emblematicamente traduzidos na decisão do Supremo Tribunal Federal em 2010, impedindo a revisão da Lei da Anistia. Varridos para debaixo do tapete os fundamentos sociais e históricos da construção da ditadura”.
Rolo compressor
A “verdade”, pelo menos na política, é uma construção dos vencedores da ocasião e, portanto, o nome “Comissão da Verdade” é problemático. E, por enquanto, a possibilidade dessa comissão trabalhar com autonomia e alcançar algum êxito na sua missão é apenas uma aposta que se pode fazer. O Planalto avisa que ela terá caráter de órgão de estado, e não do governo petista. Os nomes parecem dignos da função. Mas não vamos esquecer que, há dez anos, os estado brasileiro passou a ser um aparelho do PT e qualquer desvio dessa regra, como ocorre agora com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e com os ministros do STF, no caso do Julgamento do Mensalão, é atropelado pelo rolo compressor do partido e do governo. Se instituições como o Ministério Público e a Corte Suprema são pressionadas dessa forma, o que esperar de uma comissão de notáveis?
Será que a Comissão da Verdade pode convocar José Sarney, o eterno vencedor da política brasileira? Presidente do Senado, ele é o maior avalista do governo petista no Congresso Nacional. Oligarca do Maranhão, o estado mais miserável do Brasil, foi eleito governador em 1965, com o apoio do primeiro ditador, o general Castelo Branco. Foi presidente da Arena e do PDS, os partidos que sustentaram a farsa do parlamento durante a ditadura. Mudou de lado com o vento da democratização e quis a nossa tragédia que se tornasse Presidente da República. Alguns dizem que Lula é o Macunaíma da política nacional, positivando a falta de caráter do herói. Mas esse título, se coubesse, teria de ser de José Sarney. De qualquer forma, comparar Lula e Sarney a Macunaíma é uma terrível falta de respeito para com o personagem de Mario de Andrade.
Inversão do aforismo de Clausewitz
Em seu curso no Collège de France, em 1975 e 1976, focado no tema do poder, Michel Foucault propôs a inversão do aforismo de Carl Von Clausewitz, segundo o qual “A guerra não é mais que a continuação da política por outros meios”. Foucault suspeita que ocorre o contrário: “A política é a continuação da guerra por outros meios”. Assim, diz, na aula de 7 de janeiro de 1976: “Sempre se escreveria a história dessa mesma guerra, mesmo quando se escrevesse a história da paz e de suas instituições”.
Vamos ver, portanto, a que veio a Comissão da Verdade: vai fundo sobre os dirigentes civis que proveram os meios políticos para assassinatos e torturas, ou vai se restringir aos militares e policiais que fizeram o trabalho sujo nos porões, simplesmente reescrevendo a velha história da mesma guerra?
NOTA: Antes que algum apressado diga que este texto é de um direitista que quer proteger militares assassinos e torturadores, informo que no dia 31 de março de 1964 eu era um estudante que militava no movimento secundarista do Rio de Janeiro. Fui para a rua no final daquela tarde logo que ouvi os primeiros rumores do golpe e só voltei para casa na noite de primeiro de abril, chorando, debaixo da chuva fina e do papel picado que caía dos prédios festejando a “revolução redentora”, depois de ter estado na porta de sindicatos, chamando trabalhadores para a resistência, de participar da ocupação da Faculdade de Filosofia, de levantar barricada na UNE, na Praia do Flamengo, e de protestar na Cinelândia, em frente ao Clube Militar, fugindo de lá debaixo de tiros. Desde aquele dia não parei um momento de lutar pela democracia. Fui preso, torturado e sofri perseguição durante anos. Com erros e acertos, derrotas e vitórias, sei que a vida não pode ser diferente para mim.
12/04/2012 | Comentários (0) | Por: Altamir Tojal
Uma operação intelectual de indulgência à corrupção atribui ao moralismo a idéia de que o poder pode não ser corrupto.
Um dos aspectos intrigantes da política brasileira é o silêncio nas universidades e a ausência do movimento estudantil no debate e nas manifestações contra a corrupção e a impunidade, dois pilares tradicionais do poder da oligarquia, que foram transformados agora no Brasil em política pública universalizada e em padrão de governança. Isso se tornou intolerável para uma parcela expressiva da sociedade, mas não parece sequer inquietar a juventude e o meio acadêmico. Há duas pistas óbvias a seguir para chegar à razão dessa acomodação: a domesticação do movimento estudantil pelo governo e o aparelhamento partidário das universidades. E há outra, menos difundida, mas também relevante: o uso militante da idéia de que “o poder nasce da corrupção”. (Texto revisado em abril de 2012 - Continua)
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