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Altamir Tojal
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29 de dezembro de 2008 MOVIMENTOS SOCIAIS E GOVERNOS

Artigo: O aparelhamento político debilita os movimentos sociais? Como inventar formas de gerir o comum que não sejam capturadas pelo capital? Como evitar que a crise neoliberal traga de volta o estatismo? Como ter uma prática que transmita as virtudes dos movimentos sociais e do estado? Estas são algumas das questões discutivas na 'Oficina de 18 de Dezembro', realizada pela Universidade Nômade, com a presença de Antônio Negri, Christian Marazzi, Yann Moulier-Boutang e outros pensadores.

Clique para ler o texto separador 29 de dezembro de 2008 RECESSÃO E DILEMAS DUVIDOSOS

Artigo: Vamos ficar atentos ao que realmente importa: à briga pelo dinheiro e, sobretudo, à construção do caminho para sair da crise. É bem conhecido o poder da imprensa na produção de realidades. E sabemos que não há neutralidade nem inocência na informação. Há sempre valor na escolha do que e como informar. Devemos ter em conta que notícias e comentários têm o poder de fortalecer e enfraquecer expectativas, de valorizar e desvalorizar ativos e de influenciar decisões de governo.

Clique para ler o texto separador 19 de outubro de 2008 GUERRA DE PALAVRAS PELO ESPÓLIO DA CRISE

Artigo: A imprensa é um vasto campo de batalha na guerra que se trava pelo espólio da crise global. Enquanto as manchetes refletem a ciclotimia dos mercados, a parte da mídia que foi mais leniente com os abusos financeiros quer nos convencer agora que a recessão é inelutável.

Clique para ler o texto separador 14 de outubro de 2008 A FARRA DO CRÉDITO E O HOMEM ENDIVIDADO

Artigo: O mundo já vai ficar melhor por conta do convencimento de que não há sistema perfeito. E sobra o dever de espernear para que o custo da socialização do mega-rombo não fique para os mais pobres. Talvez essa seja a maior e mais urgente missão política da hora.

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Entenda porque esse site/blog se chama "Este mundo possível"
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Além de prazer estético, a exposição Virada Russa nos dá a oportunidade de atualizar o conceito de revolução.

São 123 obras de artistas como Kandinsky, Maliévitch, Chagall, Rodchenko, Tátlin, Goncharova, entre outros, em exibição no CCBB do Rio, de 23 de junho a 23 de agosto. A expo esteve em Brasília e vai também para São Paulo.

Esses artistas mudaram a arte no instante em que a Revolução Russa ainda era revolução.

Como explica o professor Pedro Duarte de Andrade no inspirado artigo Política e Arte na Rússia da Revolução (Prosa e Verso, O Globo, 20/10/2007), após a Revolução de 1917, a Rússia assistiu ao casamento feliz entre política e arte. Mas logo veio o divórcio. Artigo Arte na Rússia da Revolução.pdf

A vitalidade artística sucumbiu pouco tempo depois do breve lampejo da revolução, do acontecimento revolucionário. Mas ficaram as obras - a arte - e toda a sua força.

Quando os criadores destas obras passaram a ser perseguidos, presos e assassinados já não havia revolução. Havia burocracia e totalitalitarismo. E surgia o simulacro do realismo socialista.

A exposição, portanto, traz para hoje o instante revolucionário. É uma oportunidade de respirar esse ar.

Nas suas tantas críticas perturbadoras e profecias inquietantes, o Zaratustra de Nietzsche talvez tenha compreendido também o destino trágico das revoluções de trazerem o novo e também a sua negação:

"O que quer que eu crie e de que modo quer que o ame - breve terei de ser seu adversário, bem como o do meu amor: assim quer a minha vontade".

E Deleuze acrescentou bem mais tarde:

"Dizem que as revoluções têm um mau futuro. Mas não param de misturar duas coisas, o futuro das revoluções na história e o devir revolucionário das pessoas. Nem sequer são as mesmas pessoas nos dois casos".

Entendida, portanto, dessa forma, a idéia de revolução ultrapassa e atropela o sentido de tarefa. Não dá para dizer: "Pronto! Fizemos a revolução. Dever cumprido!". Revolução feita, é hora de fazer outra.

Mais, além e, mesmo, contra a tarefa feita, revolução é devir.

PS: REVOLUÇÃO - Embora ecoe nostálgica e debilitada, a palavra 'revolução' recupera, de tempos em tempos, parte de sua reputação de perigo e volta a impor certo respeito, mesmo depois de longos períodos de apropriação pela ideologia e pelo marketing, despojada de seu sentido estrito, de destruição e substituição de um regime político. Revoluções propriamente ditas, como define Abbagnano no Dicionário de Filosofia (ABBAGNANO, 2000: 858-859), foram a inglesa, a americana, a francesa e a russa. Ainda se fala - e muito - em revolução no sentido largo, quando se quer atribuir importância a uma mudança, seja na política, na economia, na arte, na ciência ou no futebol. Mas há também quem queira evitar a palavra ou mesmo bani-la, como ocorreu em 2004, na comemoração dos 30 anos da 'Revolução dos Cravos' em Portugal. O slogan do governo para celebrar a data, 'Abril é Evolução' provocou protestos da oposição socialista. Em todo o país, nos dias que antecederam o 25 de Abril, mãos anônimas acrescentaram o 'R' à palavra 'Evolução' nas peças da propaganda oficial. Mesmo não se tratando de uma revolução no sentido estrito, a elipse do 'R' não ocorreu, seguramente, por rigor técnico nem por respeito ao sentido político da palavra. É possível que mentes perspicazes e intuitivas, de dentro do próprio sistema dominante, tenham percebido algum revigoramento no sentido da palavra.

O Marujo - Vladimir Tatlin.jpg
O Marujo - Vladimir Tatlin
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12 de junho de 2009
JULIA E O MAGO


Está nas livrarias o belo e arrepiante romance Julia e o Mago, de Cecília Costa. O lançamento será no dia 17/6, quarta, às 19 horas, na Livraria Argumento, Leblon.

Cecília me alegrou com o convite para escrever a orelha do livro. Segue o texto:

Julia e o Mago capa.jpg

Depois de lutar com a morte, de ver a alma voltar para o próprio corpo, Antônio se entrega à aventura de perseguir o amor em todos os instantes da vida e em todas as suas inesgotáveis possibilidades, as mais sublimes e as mais sórdidas. É assim que Julia decifra o mago, seu pai, e vive a aventura de também se desvelar. Ela inventa coragem para minerar os esconderijos da memória e confronta seus encontros e achados com narrativas e percepções do presente. Tudo é movediço e perturbador.

As histórias de Julia e o Mago nos trazem lembranças das alegrias e terrores mais primitivos e não nos deixam fugir do espelho. Evocam os obscuros e renitentes poderes da casa rodrigueana e nos põem a conviver com a opressão, as infidelidades, as conspirações, os pecados e, sobretudo, os amores de toda boa e velha família que se preza.

Este é um livro sobre os limites do amor. Ele nos conduz, em meio a trevas eternas e ao branco vazio, a luzes que cegam. Não vemos os limites do amor porque o desejo é infinito e, portanto, impossível de satisfazer. Antônio se consagra na épica dessa dependência desejante, do desejo que nunca se satisfaz, que é falta e é fora. Ao ressuscitar, o pai de Julia enfrenta a revelação de que não poderá mais fugir do amor fati, do destino de amar a vida incondicionalmente, mesmo o que ela tem de mais estranho e terrível, mesmo a infinitude do desejo.

Cecília Costa, que já havia se desnudado no seu Damas de Copas, explora agora, com Julia e o Mago, limites ainda mais críticos da autoficção. Não faz cerimônia nem tem pudor. Ela alcança, assim, a emoção e a verdade engendradas na tensão entre ficção e realidade, ou seja, o que a literatura tem de melhor a oferecer. Essa potência irrompe tanto nas histórias e personagens como na diversidade e na ousadia da maneira de contar, nas múltiplas vozes e na poesia das palavras, transformando em arte mesmo o mais rude cotidiano.

O livro de Cecília ainda nos presenteia com ricas e interativas alusões à família Mann, desde as matas mágicas de Angra dos Reis e Parati, de onde partiu Julia, a brasileira, mãe de Thomas, autor preferido de Antônio, até as montanhas geladas - e também mágicas - da Suíça.

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