



Para não validar a irrelevância do jornalismo e não capitular, a imprensa brasileira tem o desafio de superar a lógica do espetáculo na cobertura da corrupção.
02 de janeiro de 2010
Em busca dos esconderijos da memória
As histórias de Julia e o Mago nos trazem lembranças das alegrias e terrores mais primitivos e não nos deixam fugir do espelho. Evocam os obscuros e renitentes poderes da casa rodrigueana e nos põem a conviver com a opressão, as infidelidades, as conspirações, os pecados e, sobretudo, os amores de toda boa e velha família que se preza.
29 de dezembro de 2008
MOVIMENTOS SOCIAIS E GOVERNOS
Artigo: O aparelhamento político debilita os movimentos sociais? Como inventar formas de gerir o comum que não sejam capturadas pelo capital? Como evitar que a crise neoliberal traga de volta o estatismo? Como ter uma prática que transmita as virtudes dos movimentos sociais e do estado? Estas são algumas das questões discutivas na 'Oficina de 18 de Dezembro', realizada pela Universidade Nômade, com a presença de Antônio Negri, Christian Marazzi, Yann Moulier-Boutang e outros pensadores.
29 de dezembro de 2008
RECESSÃO E DILEMAS DUVIDOSOS
Artigo: Vamos ficar atentos ao que realmente importa: à briga pelo dinheiro e, sobretudo, à construção do caminho para sair da crise. É bem conhecido o poder da imprensa na produção de realidades. E sabemos que não há neutralidade nem inocência na informação. Há sempre valor na escolha do que e como informar. Devemos ter em conta que notícias e comentários têm o poder de fortalecer e enfraquecer expectativas, de valorizar e desvalorizar ativos e de influenciar decisões de governo.
Mamãe no Bar Lagoa
Mamãe estava ótima hoje no almoço no Bar Lagoa. Tem estado ótima nas últimas vezes. Disse, depois do primeiro chope, que andava deprimida, mas foi só beber aquele e já estava bem. Contou novidades do passado. As histórias se repetem mais quando a gente envelhece. Hoje ela contou algumas das velhas, mas veio coisa nova. Um passado novo, fresco. Em casa, depois do almoço, Val disse que estava pensando nas tardes de domingo com a família, em Bonsucesso, quando era criança. Os pais iam dormir. Ela lembrou de um trecho que tinha lido no jornal de ontem: "tudo fica lá atrás, nublado como um conto de fadas" (Bete Orsini, perfil de Julio Rego, no Ela). Surgem às vezes, nessas nuvens do passado, imagens cristalinas, como a água da cacimba da casa em Maceió. Talvez provocada pelo sabor do chope, mamãe lembrou da água dessa cacimba, a mais saborosa que ela bebeu. "Água que se bebe com gosto". A cacimba ficava no quintal da casa em que foi morar com Pedro. Um quintal comum a umas seis casas. O trem passava bem na frente. A jovem e bela Marieta acordava com o apito do primeiro trem, às dez da manhã. "Era água de uma vertente, limpíssima". Imagine o sabor dessa água. Mamãe também contou uma história de 1938, quando anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar. A menina Marieta vivia e trabalhava com um tio, o Tio João, em Atalaia, "um lugar onde nada acontecia". Era da parte mais pobre da família e trabalhava de graça na loja do tio. A coisa mais divertida era jogar víspora. A sogra do Tio João, a Babu, "uma mulher muito bonita, um mulherão", dava quinhentos réis de vez em quando para Marieta ir jogar. Se perdesse, estava perdido; se ganhasse dava tudo pra Babu, que não queria o dinheiro, mas Marieta não podia ficar com nada. Não tinha salário, como ia justificar ter dinheiro? Babu podia ser avó de Marieta, mas eram amigas e confidentes. Babu ajudava a amiga como podia, se preocupava com ela. Gostava de jogar, perdia o dinheiro que o filho mandava da Bahia e ainda fazia dívidas. O filho cortou a verba, mas Babu tinha uma chave do cofre do Tio João e às vezes pegava algum "emprestado". Na noite em que o mundo ia se acabar, Babu encheu uma tigela de leite e pão e se empanturrou. Não ia morrer de barriga vazia.
Quando o espetáculo começa, a gende se sente dentro do Carnaval Carioca e vai imaginando os prés, os blocos, as fantasias, a cerveja gelada e tudo mais. Grande e boa ideia essa de reestrear o musical Sassaricando na temporada pré-carnavalesca.
Lançado em 2007, Sassaricando volta com o mesmo alto astral, a mesma alegria, a ótima seleção de músicas, belas interpretações e ainda mais teatral e engraçado. Está agora no Teatro Carlos Gomes, a preços populares.
O musical é uma crônica da vida da "cidade maravilhosa" nas últimas décadas, contada com a interpretação bem humorada e brejeira de uma seleção de dezenas de marchinhas de carnaval, feita pelos criadores do espetáculo, Rosa Maria Araujo e Sérgio Cabral.
É um desfile de músicas gostosas e maliciosas de autoria de um super time de compositores, como Noel Rosa, Ari Barroso, Lamartine Babo, Haroldo Barbosa e João de Barro, o "Braguinha".
O elenco de cantores é formado por Eduardo Dussek, Inez Viana, Pedro Paulo Malta, Pedro Miranda, Alfredo Del-Penho e Juliana Diniz, acompanhados por uma banda de sete núsicos, também é um timaço.